Internacionalização como diferencial competitivo da Instituição de Ensino

Internacionalização como diferencial competitivo da Instituição de Ensino

Com uma certa defasagem de tempo em relação a países de referência, Instituições de Ensino (IE) brasileiras começam a despertar para o grande diferencial competitivo trazido pela internacionalização. O primeiro e maior desafio diz respeito à necessária mudança mental e comportamental da alta direção, que tem que estar disposta a abrir suas portas e expandir suas fronteiras.

O caminho para se alcançar um bom nível de internacionalização não é tão complexo quanto pode parecer e nem tão custoso quanto costuma aparentar. Porém, além da grande dificuldade que é a promoção da mudança cultural da IE, o processo de internacionalização depende de ações planejadas e muito bem estruturadas. Mas os benefícios, sem dúvida, compensam todo o esforço e existem atalhos que podem acelerar a sua implementação.

Quer saber como sua IE pode alcançar o diferencial competitivo com a internacionalização e encurtar o caminho para sua implementação? Continue conosco.

O que é Internacionalização?

Segundo Altbach e Knight, a internacionalização é o conjunto de políticas e práticas empreendidas por sistemas acadêmicos, instituições e indivíduos para lidar com o ambiente acadêmico global.

Para Teichler, a internacionalização representa a crescente atividade transfronteiriça e é discutida em termos de mobilidade física, cooperação acadêmica e transferência ou compartilhamento de conhecimento acadêmico.

Considerando estes e outros autores, podemos focar nas formas mais conhecidas de internacionalização educacional: a mobilidade estudantil, a mobilidade docente e técnico-administrativo, a dupla titulação e a cooperação institucional. De posse destas informações, você estará apto a iniciar um planejamento para o processo de internacionalização da sua IE ou, até mesmo, realizar melhorias em um processo já existente.

O processo de internacionalização nas Instituições de Ensino

        A educação internacional deve fazer parte da administração e da tomada de decisão de toda Instituição de Ensino. É um diferencial competitivo e estratégico para que a IE se destaque entre seus concorrentes e agregue mais valor ao seu negócio.

        Inicialmente, intercâmbios de alunos e funcionários bastavam na modernização dos colégios e universidades. Atualmente, é necessário que o gestor pense no ingresso de sua IE nas redes de cooperação acadêmica e nas redes de cooperação entre instituições de ensino e empresas, buscando melhorias e vantagens no processo de internacionalização da sua IE. Acreditamos que a participação de redes e cooperativas seja o melhor atalho para reduzir os tempos de implementação de um bom programa de internacionalização.

        Neste processo, algumas formas de internacionalização merecem destaque e vamos detalhá-las a seguir.

Mobilidade estudantil

        Segundo dados do Instituto de Estatística da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), cerca de 8 milhões de jovens universitários irão estudar fora de seus países até 2025.

Mesmo que ainda sejam poucos os alunos estrangeiros que escolhem o Brasil como destino, as IEs brasileiras precisam se conveniar e manter bons programas de bolsas de estudos, buscando garantir hospedagem e estágios para os estudantes, fazendo com que a troca de conhecimento e experiência sejam recíprocos entre os estudantes brasileiros e os intercambistas.

Mobilidade docente e técnico-administrativa

A IE deve incentivar a internacionalização, oferecendo projetos de pesquisa e programas de capacitação aos seus colaboradores, para estimular a mobilidade docente e técnico-administrativa.

A ideia é que esses profissionais participem destes programas para que, além de realizarem atividades acadêmicas e de pesquisa, ampliem a sua rede de contatos possibilitando novas parcerias. Futuramente, essas parcerias poderão gerar projetos de pesquisa conjuntos, bem como publicações interpaíses, colaboração tecnológica, cotutela e duplo-diploma.

Dupla titulação

        A internacionalização de currículos é algo que as IEs devem buscar logo de início. Porém, deve ser planejado de forma a não prejudicar a base curricular nacional do curso, e a garantir que disciplinas internacionais sejam aplicadas em sua totalidade, podendo estas serem oferecidas em horário alternativo.

Para internacionalizar os currículos a Instituição de Ensino deve contar com professores que não só dominem a língua estrangeira, mas que criem em seus currículos conteúdos com foco internacional e intercultural. Nesta etapa, a parceria com instituições de outros países se torna imprescindível para que a obtenção do duplo-diploma ocorra de forma natural pelo aluno e a certificação seja reconhecida oficialmente.

Domínio de outra língua

        É necessário que a IE ofereça em seu currículo, mesmo que opcionalmente, disciplinas, programas ou cursos de curta duração ministrados em outras línguas.

Esta medida serve tanto para que os estudantes consigam obter o domínio de uma língua estrangeira quanto para a IE captar e receber os estudantes de outros países. Vale ressaltar que os estudantes brasileiros devem possuir, pelo menos, nível intermediário de fluência na língua estrangeira em que a disciplina será ministrada, garantindo que o conteúdo seja absorvido corretamente.

A internacionalização na Educação Básica do Brasil

Decorrente de uma parceria com o renomado sistema educacional Griggs International Academy, vinculado à Andrews University nos Estados Unidos, algumas Instituições de Ensino brasileiras estão oferecendo ensino bilíngue desde a Educação Infantil até o Ensino Médio, como é o caso do Colégio Damas de Maceió (AL), o Colégio Castelo de Macaé (RJ) e a Escola Paulo Freire em Campo Grande (MS).

Em outros colégios do Brasil como o Dante Alighieri (SP) e o Colégio Presbiteriano Mackenzie (DF), a partir do 9º ano do Ensino Fundamental, os alunos podem optar pelo High School, programa que acontece por meio de um convênio firmado com universidades dos Estados Unidos como a Texas Tech University e a University of Missouri.

O estudante tem aulas do currículo americano oficial ministradas por professores da língua materna inglesa – em horário não coincidente com o das suas aulas normais – possibilitando a formação internacional oficial sem sacrificar a preparação para os vestibulares, pois o currículo nacional é preservado integralmente. O curso tem duração de três anos e o aluno que fizer essa opção precisa ter uma boa base do idioma inglês.

No final do Ensino Médio, o estudante recebe o certificado oficial brasileiro e o certificado oficial de conclusão do High School, chancelado pelas instituições parceiras, reconhecido pelo governo americano e aceito internacionalmente.

A internacionalização no Ensino Superior do Brasil

As Instituições de Ensino Superior (IESs) – que contemplam tanto graduação como a pós-graduação – e as escolas de negócio têm buscado por parcerias e convênios com instituições de outros países e escolas particulares de língua estrangeira, objetivando a formação e capacitação de seu corpo docente e também discente.

Dentre as IESs que mantêm programas de cooperação internacional consolidado, pode ser citado o Grupo Educacional UNIS, de Minas Gerais, mantendo convênios com instituições internacionais promovendo o intercâmbio de alunos do Brasil para diversos países e vice-versa.  O Grupo Educacional UNIS faz parte da Academic International Network – ACINNET, uma associação privada, de caráter educacional, sem fins lucrativos, constituída por onze IESs da América do Sul e da Europa, e que tem o objetivo de facilitar e incentivar a cooperação em nível internacional.

Vale destacar também a Fundação Getúlio Vargas – FGV, que possui um programa de parceria com a ESC Rennes School of Business, uma das principais escolas internacionais de Negócios da França, envolvendo no programa desde o intercâmbio de docentes até a criação de doutorados com dupla titulação pelas instituições.

Além de aumentar a presença de pesquisadores e estudantes de vários níveis em instituições de excelência no exterior, a internacionalização da educação também promove a inserção internacional de estudantes e pesquisadores renomados nas IEs brasileiras. Em um mundo cada vez mais globalizado e concorrido, a sua IE não pode ficar fora desse movimento!

Conclusão

Incluir em seus processos ações de internacionalização, mantendo também investimentos em estruturas que incentivem a inovação, tem se mostrado o caminho para que as Instituições de Ensino elevem ainda mais o seu padrão de competitividade diante de seus concorrentes e se tornem cada vez mais atraentes ao público estrangeiro.

A captação de alunos intercambistas, juntamente com a excelência dos serviços oferecidos aos alunos, é uma estratégia que fará com que sua IE se destaque e esteja um passo à frente das outras.

A participação em cooperativas e em redes de colaboração pode acelerar em muito o processo de implementação da internacionalização.

Para concluir, não devemos nos esquecer do principal desafio: a quebra de paradigma, ou seja, a mudança de cultura da IE que deve estar disposta a abrir suas portas e expandir seus horizontes.

Sua IE já possui um programa de internacionalização? Como é? Conte para nós!

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One thought on “Internacionalização como diferencial competitivo da Instituição de Ensino

  1. Argemiro Severiano says:

    Excelente artigo para quem quer dar o pontapé inicial na internacionalização de sua IES. É importante saber que o Brasil é um dos países que menos recebe estudante internacional. Uma das barreiras é a língua estrangeira que precisa ser dominado para oferecer aos alunos estrangeiros uma educação de qualidade.

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